30/04

Respeitar a tristeza alheia não é entristecer-se.

Lamento pela estética contemporânea, anti-feminina, eliminando cinturas fundamentais via dieta, ginástica ou manipulação para a malformação das tábuas. Gisele Bündchen – que a mim só diz respeito a partir dos seios – que o diga.

Tábua não é magra. Tábua não é magrela. Tábua é tábua.

29/04

– Qual é o seu papel?
– Sulfite.

De paletó, ideologia. De collant, acrobacia.

28/04

Pálido, Motumbo comparece à convocação de John Spencer. Seria vitiligo?

Felicidade é receber de volta a máquina fotográfica emprestada para um casting.

José Eugênio Soares promove a maior entrevista da história, há mais de dez anos em capítulos diários. Por uma questão de obviedade, contudo, não se revela o objeto da entrefala. E precisa?

– Olhe esse trabalho experimental, como uma referência das possibilidades.
– Achei um tanto fora dos padrões. Não seria melhor algo previsível, para não correr riscos?
– Veja bem: antes o extremo, que a extrema-unção.

27/04

Anúncio Joselito de uma revenda Apple, sobre o novo iMac:

“Derrubamos as torres.”

Pano rápido.

26/04




Dank, Elesbão e Haroldinho dizáin e Tnop Wangsillapkun são tão grafistas quanto tipógrafos e, com suas letras, compõem mais imagens do que texto. Em três continentes, em Sidney, Rio de Janeiro ou Chicago, eles substituem as cores pelo cinza tipográfico, e o 3D pelo simples fundo de página. Ao mesmo tempo em que produzem suas fontes, criam novas situações visuais onde cada elemento do design pertence a uma atmosfera. Sempre na busca de ultrapassar os limites, como o de uma onda a surfar, eles não estão nada perto de respeitar as normas ao pé da letra (…)

(…) Dupla Dinâmica

Claudio “Haroldinho” e Zé “Elesbão” reuniram seus talentos na ilusão de que a associação de um ilustrador e um designer seria uma boa oportunidade financeira (Após a ilusão da sociedade com um fotógrafo.). Assim nasceu Elesbão e Haroldinho dizáin, uma agência de nome muito pouco comum para passar despercebida. A fim de formar seu portfolio e prospectar clientes, consideraram-se eles mesmos seu primeiro cliente. Os dois personagens então criados fazem parte de sua produção e de seu estilo, assim como uma utilização intensiva da tipografia. Essa bulimia de caracteres seria notada pela Emigre, que julgou Tipopótamo, seu catálogo de fontes, como um dos 250 envios mais importantes recebidos em dez anos, o único vindo do Brasil. Apreendendo o design como uma cultura sensorial, eles encaram trabalhos encomendados (para Ogilvy & Mather ou na ocasião da vinda do Papa) e experimentações livres.

A cada ano, publicam o Design de Bolso, um fascículo gratuito em preto e branco, que fez a fama dos dois. Em trinta páginas, fazem fluir seu estilo em busca da audácia e da inovação. Os ingredientes são simples: a tipografia serve de material de base, reforçada pela monocromia e o 3D. Adicione reviravoltas irreverentes e auto-retratos infantis. Tudo isso na motivação muito séria de dinamizar o design brasileiro. E riscam de conseguir, com um projeto de espetáculo de tipografia multimídia projetado no teatro improvisado no primeiro andar de seu estúdio.

Uma das mais respeitadas publicações francesas de design, senão a maior, traz, em seu especial sobre Tipografia, a capa e outras três páginas dedicadas ao nosso portfolio.

Meu – nosso – muito obrigado, de coração, ao auxílio luxuoso de Gabriela e Alessandra, que permitiram a comunicação estrangeira, e ao compadre Leo Caldi, que versou para Camões o artigo que inicia o post. Não esquecemos do responsável primeiro, Etienne Ervy, que tanto interesse e sinceridade demonstrou para com o material. Abraços e beijos calorosos a todos aqueles que trabalham para o intercâmbio de informação e respeito, que tanto nos infla a alma.

Ps.: Avelino, nosso modelo internacional, avisa que sua próxima aparição será na Marie Claire de junho. É a fama.

Retorna a questão sobre a nossa recusa em aplicar workshops, mas o fato é que não encontramos um método que justifique e permita o intercâmbio sincero. Não acredito em noventa por cento das oficinas tradicionais, onde são comuns os frustrados. A proposta deve fugir do charlatanismo pelo qual tantos figurões – e figurinhas – comungam.

Quando houver uma boa metodologia ao nosso alcance, faremos o riscado, sem dúvida.

De algo o SBT me serve. Conferi, decepcionado, o badalado Matrix. A grita geral, a campanha massiva dos hypes de plantão e outros tantos “cinétolos” levantou expectativa pela produção, que pessoalmente resumia-se aos famosos planos. Então. Louve-se o que de fato é bom, mas pondere-se sobre tantos momentos em que há descuidos graves de produção, a saber, em alguns chroma-keys mal executados. Poucos dominam a técnica de iluminação, inclusive.

Roteiros e farofadas à parte, sobressai-se como acompanhamento das pipocas, ainda que os olhos percam o rumo com a calça de couro – e as discretas curvas – da atriz. Vale a risada pela profetização do Murilo Benício (alô alô, novela!), e mais, pela perseguição do MIB. Ou seriam os Blues Brothers?

Gasto algumas linhas por conta do escarcéu, do tanto falado e propagandeado. Acreditei que não seria outra ficção fast food. Enganei-me. Hohoho.

Messiê Daniel deu uma força porreta para a Revista 100%, montando o site do evento Samb.

25/04

Da série Compreendendo melhor a nação:

Adoro a “cara de passarinho” dela. E de todas as outras, também.

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