
Todos pela conversão da Austrália em colônia infantil internacional, onde toda criança cumpriria seus dez anos de exílio, pelo bem da paz universal?
Todos a favor?
Eu sabia.
Uma das mais raras e marcantes belezas de uma mulher, a voz, é um dado de extrema e prazerosa surpresa.
“Este produto foi preparado especialmente para você”, que adorna tantas embalagens para entrega, faz pensar: Caso passe mal, já se sabe que é pessoal.
Foi-se o tempo em que o ambiente de trabalho trazia felicidade. Há que se coordenar projetos em paralelo, mais uma vez, buscando um equilíbrio de forças que mantenha a cabeça erguida. Por enquanto a distância cresce.
Mesmo que o flagelo alheio mereça toda a compreensão, você há de concordar com o sofrimento impingido pelos gritos diários de um quase-vizinho com problemas mentais. Os berros repentinos vivem pegando qualquer um no susto, como uma martelada nos nervos.
Se bem que, uma a mais, uma a menos…
Alguém por favor implemente um corretor ortográfico no Orkut, antes que algum desavisado acabe cego.
Eu detesto a minha incontrolável cara de bobo diante de uma bela mulher. Raios. Raios triplos.
Há uma certa aflição em todo relato boçal cuja parcela de comicidade seja particular a um pequeno grupo, emperrando o repasse a terceiros sob a pena de incompreensão – ou pior, da reprimenda enérgica de quem não pode captar o humor, como se fosse você o culpado.
É o famoso “Esporro por tabela”, a bala perdida verbal.
– “Eu estou em uma fase de analogias… às vezes até sai uma que preste…”
– “Eu vivo essa relação de amor e ódio com os trocadilhos. É inevitável.”
– “Mas é aí que a vida fica divertida!”
– “Lembra uma vez, quando numa editora em SP, pouco depois do 9/11, um conhecido criador de trocadilhos horrorosos veio descendo a escada, já lascando ‘Fala, Talesbão!’.”
– “Ahahahahahaha… pense que é melhor ouvir isso, do que ser surdo!”
– “Ou seria ‘Curdo’?”
Ainda me parece claro que, no caso Tim Lopes, o direcionamento majoritário da mídia define explicitamente um corporativismo profissional que ofende a lembrança de outras vítimas, seja qual for o algoz. E não me caberia menosprezar a fatalidade do jornalista, ou esquecer o seu papel no cumprimento de um dever. A dor é legítima, e como tal deve ser compreendida como outro capítulo de um histórico de boçalidade e ingerência governamentais, seja pelas mãos do Elias, da PM, de qualquer criatura obsidiada pelo atoleiro generalizado de uma sociedade falida. As dezenas de vítimas diárias, igualmente dignas de aplausos, também devem constar dos relatos da grande imprensa. Todo mundo igual, pois.
Powered by WordPress





