28/02

Eu acho estranho decidir um voto com meses de antecedência.

Eu tenho uma certa implicância quanto à excessiva atenção dada ao Jamelão durante o carnaval. Não desconfio de seu histórico, mas temo que a providência do pedestal esconda um componente traiçoeiro, tantas vezes imputado à terceira idade. Decompõe-se o elemento humano, racional, em troca de um bibelô, um grande bebê a quem tudo é perdoado e relevado em qualquer aspecto. O adulto se perde, e perdemos todos. Não quero me apressar e ser irresponsável em rotular o José Bispo Clementino dos Santos, mas aproveito o gancho para um aspecto nocivo da já frágil identidade social do idoso.

27/02

New York Times, 27 de fevereiro: Atriz pornô muda de ramo e vira produtora de vinho – e de boa qualidade, segundo críticos

Deve ser espumante.

Aí você retoma o contato com aquele colega “das antigas”, desde sempre um talento para o acúmulo de tralha – principalmente em vídeo –, que deixa à sua disposição um acervo considerável, desde clássicos do cinema turco até o fino da Boca do Lixo. É material para fritar os olhos.

26/02

Alô prefeitura, calçada é fundamental – e não apenas pelos turistas pulando obstáculos no Cosme Velho, por exemplo, mas por uma política de conservação e sintonia entre as concessionárias que dela se utilizam, em prol do pedestre cotidiano.

Se fossem listar três dos mais graves e crônicos problemas nacionais, aliás, certamente um seria a noção do conservar; a União, os estados e municípios e mesmo o cidadão, todos cúmplices de um vergonhoso e cíclico processo de depredação e reconstrução do ambiente público. É uma cátedra nacional da ignorância.

A compra da Pixar – e a conseqüente inserção do Steve Jobs na Disney –, pode provocar muitas coisas, entre elas o Mac Minnie.

Rá!

25/02

Quase cinco mil e quinhentos posts no Blog, e uma primeira neurose sobre a presença de assuntos inadvertidamente cíclicos; redundando numa segunda acerca das repetitivas constatações; culminando numa terceira por essas cumulativas anotações. É digno de pena, o processo através do qual estabeleço alguma preocupação absolutamente desnecessária e complexa. Ê, lerê.

Isso aqui anda pior que redação “Minhas Férias”.

O que lhe dizem imposto, para o governo é encosto.

24/02

Desde o cartório, ser José é repartir um pouco do nome e da identidade. O egoísmo é impossível.

Eu descreverei como fui incapaz de gerenciar o meu acesso à Internet desde sempre, comprometendo muito do tempo e da produção.

Quando desconectar.

23/02

No meio da platéia, a mais incisiva ironia local:

– Aí, tu veio pra ver o show da banda KY, né?

É como acupuntura com agulha de tricô.

Das frases mais estranhas que eu já vi num banheiro.

22/02

– Por isso que eu te liguei no domingo feito doida, e só dizia “Este telefone está programado para não receber chamadas”. Pensei comigo: “Caralho, ele anda levando bem a sério esse negócio de Elesbão…”

21/02

Em um grupo de surdos, como é que alguém conta um segredo?

20/02

Volta e meia me pego avaliando a situação corrente a partir de um ponto de vista externo, como quando um terapeuta japonês está pisando em minhas costas, por exemplo. Eu reflito sobre o ridículo e o medo, já que naturalmente desconfio da sustentação da maca. Se formos ao chão, o constrangimento certamente superará qualquer osso arrebentado.

Isso ainda rende um documentário.

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