30/04

Como solteiro tradicional, acabo econômico para os convites sociais.

Escrever, na primeira pessoa, é um exercício aeróbico.

29/04

O sujeito sentado à mesa, e o prato cheio:

– Viu? Por isso que é gordo.

O sujeito sentado à mesa, e o prato comedido:

– Viu? É gordo e tem que fazer dieta…

O Exame de Sangue é reunião de condomínio do corpo.

Há quase dois meses a estranha obsessão persegue: não consigo separar a vinheta do seriado 24h, do painel de um microondas. Os sons, a grafia, tudo bate.

28/04

– Você vai pesar calçado?
– Senhora, o problema nunca foi esse.

Da semântica da vida, ou porque me fascina o jornalismo popular:

A chamada não entrega ao incauto leitor o comparsa Nem, a confundir não só a polícia como o próprio artigo; afinal, Nem está sendo procurado, Nem pode ser encontrado e, mais do que nunca, Nem se entregará. Eis a confusão processual.

Na página anterior, uma nota alerta sobre Id, outro do tráfico. Ego e Superego sobreviverão ao inquérito e a qualquer CPI. Aí é covardia.

27/04

Ensino caduco: o colégio ainda tem como foco o exame de fases.

O episódio com as fitas não resume a delinquência juvenil, infelizmente. Em duas ou três ocasiões, embalado pela inveja de outras coleções de maços de cigarro, subtraí um ou outro exemplar de colegas próximos. São episódios isolados, decenais, e que ainda incomodam enquanto digito. A assunção há de curar.

E que hábito, aquela coleção. Dos tantos produtos que ousei juntar, os maços ganham pelo ânimo e energia gastos pelas calçadas turísticas ou em quaisquer outras possibilidades, como o inglês que esvaziou sua caixinha recém-aberta em resposta à desesperada mímica no restaurante. Cheguei a ser expulso do Méridien, pego xeretando lixeiras no andar da administração. Sem noção.

Foram-se os anos e os desdobramentos, tudo isso. A coleção repousa enquanto aguarda o herdeiro.

– Por que o mundo não acaba logo?
– É a versão do diretor.

26/04

O excesso e a falta de sobrancelhas me dão nervoso.

Elevador é imóvel? Depende do eixo.

Ps.: Acho difícil, mesmo em favelas da Zona Sul.

25/04

Há dez anos, fiz a minha primeira e única dieta séria, longa, por conta própria e com tal obstinação – o amor por ela, afinal –, que os dividendos ultrapassaram quaisquer dados numéricos, em um processo de auto-estima raramente observado neste cidadão José. E se os anos recentes comprometeram aquele resultado, é hora de assumir um novo e definitivo compromisso, não apenas em face da premência física, mas da busca de um equilíbrio total: mens sana.

Começo amanhã, pois, o novo ciclo.

Leda Nagle, Sonia Abrão e Raul Gil: três figuras que eu não queria encontrar numa rua deserta.

Eu só espero que os meus problemas sejam compatíveis com a idade, sem reciprocidade.

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