31/05

A única trapista holandesa, avermelhada e levemente adocicada.

Aguardada como poucas, a Monasterium é a primeira cerveja brasileira no estilo Tripel Belga, o que nos levou a um exclusivo e inesperado ponto de venda.

Não falta personalidade a esta inglesa maturada por dois anos em tonéis de carvalho.

O ambiente é fundamental, e por isso descobrimos próximo à Praça da Bandeira o Aconchego Carioca, apresentando um razoável leque cervejeiro – e eventuais aparições caseiras da ACervA Carioca, que ali constitui uma sede social – e a notável cozinha de influência nordestina, com destaque para o demorado e justificável Camarão na Moranga. Para aguardar, aliás, é que existem os croquetes.

Vale a visita, nem que seja pela gostosa gargalhada da comandante-em-chefe Katia.

Volta e meia a crítica política deixa patente o desejo simplório pelo contra, que, nas administrações, incide justamente sobre o cotidiano popular. Salvam-se os céticos, fode-se o povo.

Em que pese a eterna – e universal – pilantragem que alicerça qualquer evento, ousemos separar benesses e fiscalização. E que o Pan, por exemplo, nos sirva de consideração.

30/05

Sobre a bem-vinda e propalada “invasão” gastronômica paulistana, ressalve-se: cuidado com os estranhamente cultuados hiper-colarinhos de cerveja, que se prestam não somente ao enjôo – no meu caso, pela safada pilsen cotidiana –, como ao lesa-consumo.

– Um amigo meu contou como foi o processo de criação para a campanha do Tim Festival desse ano. ‘tá preparado?
– Devagar, por favor.
– Todo mundo trabalhando, quando chega o representante do “departamento de estímulo de idéias”, pedindo para deitarem no chão com as luzes apagadas.
– Ai.
– Entra a música ambiente “Vamos pensar no oxigênio entrando e saindo do seu corpo.” “Agora vamos regredir à adolescência, e pensar no que a música significava para a gente naquela época.” – e assim foi, durante duas horas. Tirando um cara que dormiu o tempo todo, decidiram que a campanha vai ser baseada em Toy Art, porque só se fala disso em São Paulo.
– Aiai.
– E mandaram pesquisar na Internet como são as campanhas de outros festivais do mundo.
– Fim.

29/05

O DIA, 27 de Maio: Dois homens morreram em confronto com policiais militares do 14º BPM (Bangu), no final da tarde deste sábado, na favela Minha Deusa, em Realengo, Zona Oeste do Rio. (…)

Quer um nome de comunidade mais caléga?

Mas eu continuo preferindo a Favela do Boogie Woogie.

A Síndrome de Censa parece aumentar à medida que a educação cotidiana, automatizada pelo atendimento e fermentada pela pressa, força cada um ao mesmo procedimento. “Com licença”, tão usual, nos leva a ela.

28/05

– Essa é boa. Veio um gringo para uma reunião sobre o lançamento de um cigarro “para mulheres de pulso, mas que não querem ser confundidas com lésbicas.” Durante o briefing, ele reforçou a questão da sofisticação sem ser dondoca, aquela coisa de agência. Daí que nossa amiga, responsável pelo trabalho, teve uma crise de febre e se ausentou por três dias, período no qual seu colega tomou as rédeas. Nisso, o diretor apareceu dizendo que não era aquilo, que a mulher européia é mais pirada, e que a idéia estava errada. No quarto dia ela encontra, na campanha, a mulher acordando, comendo caviar e tomando champanhe, e empalideceu. Haviam transformado numa puta de luxo, totalmente cafona, com direito a uma cena segurando uma pantera, e detalhes como “Termina a reunião e a mulher vai para o banheiro se masturbar para comemorar.”
– Surreal.
– E nossa amiga, teoricamente, a responsável. Bom, mandaram isso pro exterior, e veio um e-mail pra ela, do gringo que esteve aqui: Are you on drugs? Só isso.
– Quááá
– Ela disse que jamais conseguirá emprego lá fora, depois dessa. O cara deve achá-la uma louca até hoje.
– Bom, mas nesse ponto…
– Isso porque a sem noção vai pra reunião com uma camisa “Let’s fuck together”.

Globo.com, 18 de Maio: (…) Nesta madrugada, ela caiu de uma altura de 30 metros de um brinquedo chamado Queda Livre durante feira no Parque de Exposições da cidade. (…)

Bem.

27/05

O forte aroma de chocolate pede pela harmonização.

Sabor pronunciado para o cotidiano.

Possivelmente a cervejaria artesanal mais antiga ainda em operação no País, a Canoinhense apresenta aqui a sua Malzebier – sim, é Malzebier, mas a curiosidade abre alas. De qualquer forma, o resultado confirma o xarope adocicado ao extremo, que nem o jarro de planta comporta.

Tenho horror a taxista em dia de jogo.

26/05

– Voltei, fui fazer uma entrevista. Ouvi de novo “Você é design demais para uma agência de publicidade.” Maldito design!
– Onde?
– O lugar é até legalzinho, grande. Olha o site.
– É curioso, pois eles têm design como item de portfolio.
– É, achei estranho. Ele falou que eu não tinha perfil, e que era para procurar a Tátil ou a Ana Couto.
– Bom, olhando o site com calma, eu diria que você recebeu um elogio.
– É, achei fracos os trabalhos, mas, enfim, preciso de grana. Não quero mais elogio, quero dinheiro! Não quero reconhecimento, quero dinheiro!
Yeah!
– Mercenária turbo!
Yeah!
– Foda-se o mundo, eu quero dinheiro.
– Fodo-me.
– Hahahaha

Globo.com, 16 de Maio: Bono, vocalista e líder da banda U2, e ativista pelas causas sociais do mundo, envolveu-se em uma batalha que pode ser tão difícil de solucionar quanto os encargos de empréstimos do mundo subdesenvolvido – uma discussão em Manhattan relacionada à fumaça nociva de lareiras, que estaria exalando das chaminés para a cobertura duplex onde mora com a esposa e quatro filhos.

(…)

“As pessoas que continuam assando carne na fogueira”, disse ele, “deveriam ser solicitadas a mudar para o East Side”, acrescentando, “afora isso, não tenho opinião formada sobre o assunto”. (…)

C.Q.D.

25/05

Com muito atraso, em qualquer sentido: que débil mental, esse José Serra. Apontar uma arma, dar esse tipo de exemplo de manuseio, realmente.

– Ele sai por esses dias, acho.
– De vez?
– Yep! Cara, a Pós da Conspira tá nos finalmentes.
– Ele vai pra onde?
– Ele quer ir pra Londres, mas a papelada tá demorando.
– Mas a Pós tá acabando por desorganização? Porque trabalho não falta.
– Eles são muito desorganizados, não valorizam as pessoas. Muita gente boa já passou ou começou por lá, mas eles não conseguem formar uma equipe, nem se importam com isso, imagino.
– É, não conheço um que fale bem de lá.
– Cara, perder fim de semana e virar noite é comum em qualquer produtora, mas o ambiente de trabalho, o relacionamento entre as pessoas é importantíssimo, e eles não dão a mínima. Quando eu entrei, ainda estava no auge, era um lugar irado, mas foi decaindo.
– E piora quando a gente sabe que eles têm como bancar uma estrutura grande, montar uma “Vetor”, por exemplo, e, por desinteresse ou ignorância, deixam as pessoas sem investimento.
– Exato. Desinteresse e ignorância.
– Ltda.

24/05

Acostumada ao meu relato humorado – ainda que eventualmente involuntário –, muita gente arredonda a percepção, impossibilitando compartilhar, por exemplo, qualquer angústia.

Vai por terra, assim, a comunicação.

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