31/03

– Já tomou Rivotril, né? Eu, nunca.
– Tomei a menor dose para assinar a papelada do apartamento, e de nada adiantou.
– Minha mãe toma em gotas.
– Acho que o meu caso é para um rifle com sedativos.

Reencontrei a relação para o Jogo do Currículo, da Marina, e acrescentei alguns ítens:

• Encontrei o Ronald McDonald no carro ao lado, num sinal de trânsito;
• Encontrei dois palhaços em um táxi, gritando para mim;
• Recolhi uma folha de chumbo da “Árvore da Vida”, da ECO 92;
• Vi um colega ser atropelado ao meu lado;
• Andei de ambulância somente duas vezes, por razões distintas, e na mesma semana;
• Discuti com um taxista na madrugada em Washington;
• Fui abandonado pelo taxista na madrugada em Washington;
• Urinei na rua em Washington;
• Dormi de cueca na área comum de um prédio em Salvador;
• Filmei uma palestra do Luís Carlos Prestes;
• Palestrei pra mil e duzentas pessoas;
• Palestrei no Auditório d’O Globo;
• Defequei no banheiro do Roberto Marinho, n’O Globo;
• Palestrei no Rio, São Paulo, Recife, Pelotas, Bauru e Curitiba, fora outras;
• Cantei pra mil pessoas;
• Estou no encarte de um CD do Zé Ramalho;
• Saí – com foto – na revista “Mulher de Hoje”;
• Gravei 200 palavrões e disponibilizei em um site;
• Gravei três funks;
• Participei de um “Anima Mundi”;
• Fui personagem de uma vinheta do “Anima Mundi”;
• Escrevi e dublei uma série de animação de 52 episódios;
• Uma barata já pousou em meu pescoço;
• Uma barata pousou em minha cabeça, estando em uma rede;
• Uma barata encravou a pata em meu dedo, depois de cair da rede;
• Expus no MNBA;
• Fiz curso de DJ. E tenho carteira;
• Atravessei o Lago de Itaipu em um ônibus;
• Passei um carnaval no Paraguai;
• Dormi em um baile de carnaval. No Paraguai;
• Bebi uísque oficial do Paraguai. Cerveja, também;
• Enviei flores pra Inglaterra;
• Fui tema de algumas pesquisas acadêmicas;
• Pela bermuda, precisei usar uma calça do figurino da Rede Globo para visitar a Herbert Richers;
• Pesquisei microfilmes no Arquivo Nacional;
• Fui reconhecido na rua, por estranhos. Algumas vezes;
• Já fui “cantado” – mais de uma vez – por homem;
• Já fui “patolado” repentinamente por um homem;
• Montei, bêbado, em um Touro mecânico;
• Ganhei um prêmio “Worst of the Web”;
• Caí de forma espetacular em uma corrida para o Serviço Militar;
• Ofendi involuntariamente o Tenente-Coronel do mesmo quartel do tombo;
• Recebi o telefone do Décio Pignatari, por ele escrito;
• Recebi dois autógrafos dos “Mulheres Negras”;
• Assisti a um “Vale tudo” no Canecão, do qual fiz o anúncio impresso;
• Fui jurado de um concurto de sites para o Canecão;
• Saltitei bêbado, no Canecão, esticando a mão para o Jorge Vercillo;
• Dormi dentro da boate Help;
• Peguei dica de ônibus com quem acabara de me assaltar;
• Recebi ligação do Miguel Falabella, do Nasi e do Selton;
• Destruí o carro no túnel Rebouças;
• Tirei, possivelmente, a primeira foto da Cindy Lauper no País;
• Fotografei e vendi registros do A-ha;
• Fotografei uma prostituta em “poses”;
• Recebi o ex-vocalista do Iron Maiden no escritório;
• Recebi um dos Los Hermanos no escritório;
• Recebi parte do Roupa Nova no escritório;
• Cacei um sapo no banheiro do escritório;
• Pisei num ferrão de abelha, morta;
• Depus na Polícia Federal, sobre barras de direção hidráulica de trator;
• Fui assaltado com 11 anos. Ou eram 9? Com 13, também;
• Um surfista me salvou do afogamento na Barra;
• Fui atingido por um urso de pelúcia gigante, na Mesbla;
• Engatinhei, bêbado, nas ruas de São João da Barra;
• Sentei ao lado do Pedro de Lara, na entrega do VMB 2000;
• Catei maços de cigarro em hotéis, para coleção;
• Colecionei, entre outras coisas, embalagem de papel higiênico;
• Captei meu telefone sem fio na tevê;
• Captei o Windows em dois canais da tevê.

30/03

29/03

Rose McGowan, uma ode às sombras que lhe revelam os fartos predicados.

28/03

Chega a observação sobre a edição do clipe filmado em três favelas, para remover a cena com o rapaz de camisa vermelha, evitando problemas para a área dominada por outra facção.

É isso.

Dando seqüência:

“You have a natural talent for disaster. Try to improve yourself into an ordinary failure by keeping your mouth shut.”
Gentleman Brown, Lord Jim.

27/03

É preciso reconhecer, que, junto às tantas amarras químicas liberadas, há, também, e talvez principalmente, um vetor de carência em escala impensada, sujeito a desvios quando misturado ao álcool: já deve ter acontecido três vezes, ao menos, de importunar amigas ou pessoas próximas pelo excesso de “necessidade” de contato feminino – um cio mais do que real, digamos. Felizmente, nenhum episódio guarda ímpetos animalescos ou excessivamente grosseiros, talvez em razão de minhas próprias bases; mas sua existência e a saia justa me fazem assaz envergonhado, para não dizer pior.

Talvez seja a eterna autocrítica, também, a não perdoar deslizes e vacilos que nos moldam.

Ainda que sancionada pela médica, a bebida precisa ser controlada para não liberar o monstro. E, mais do que nunca, é necessária a namorada. A própria constatação das derrapagens é aflitiva, e ameaça entristecer pela perspectiva de solidão.

– Já estamos com uma boa máquina para estágio.
– Opaaaaaaa quando eu comesso?

26/03

Devo ter comentado sobre o estranho talento para identificar lugares diante de qualquer fragmento de imagem.

Sendo assim, fica difícil ignorar o edifício da Prefeitura de Tóquio no reclame da Administradora; uma combinação, digamos, descontextualizada e reveladora da preguiça.

Organizando papéis, encontro um envelope deixado por ela, que, aberto, a deixa no ar.

25/03

A continuarem as convocações gratuitas, em breve teremos militares defendendo o Rio de Janeiro no futebol.

– Vi um CD “O Melhor de Netinho”, algo assim.
– Deve ser CD-R.

24/03

– Falei da mãe do meu cunhado, que comemora todas as festividades nas datas erradas? Natal, Páscoa…
– Ah!
– Sim, é de propósito. Uma semana antes, algo assim.
– Essa é uma mania bem estranha. Pegadinha! “Vamos ver se ele está atento!”
– Agora, imagine o desavisado que aparece justamente no dia. Vai ter que dar presente!
– Precisava conhecer uma pessoa normal.
– Só uma.

23/03

Em relação ao derradeiro Design de Bolso, temo por soar como antigas bandas em turnê de retorno.

Alimentando-se quase que exclusivamente à base de iogurtes em minha gestação, Dona Yara foi alertada pelo médico sobre a possibilidade de um filho anormal.

Bem.

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