Apesar da atenção feminina à moda, elas muitas vezes assemelham-se mais entre si, que os homens.
As justificativas que relacionam esforço e inspiração funcionam muito bem depois que tudo dá certo.
– Eu já tava quase indo dormir, mas achei produtivo ouvir a mesma música 78 vezes.
– Vai colocar a letra no blog? É coisa de pobre.
– Hahahahaha vou publicar assim que eu achar uma fadinha com glitter, peraí.
– E colocar GIF animado em todas as palavras-chave: “você”, “eu” para escrever no MSN e foder com a leitura alheia.
– Meu Deus, como conseguem? E quando o GIF não abre, e você tem que adivinhar?
– Ainda bem que o meu chat não é tunado.
Preenchendo o formulário do cartão de crédito, abro o menu de carreiras:

E não há “Desenhista Industrial”, “Designer” ou correlata.
Vou de “Pedreiro”.
– Eu só falo as coisas depois de pensar, mas tem gente que não entende o que tá falando.
– Nossa, você conhece as mesmas pessoas que eu.
– Hahahaha o trabalho fica todo pra quem tá em volta, porque a gente tem que ouvir e decodificar o que a pessoa disse.
– Um amigo meu tem mania de puxar um assunto pelo meio, obrigando a gente a se desdobrar para entender o que é. Ele solta uma frase qualquer, e você tem que pescar, o que é um terror.
– A minha mãe é exatamente assim! Eles pensam que a gente mora na cabeça deles!
O tradicional discurso de prejuízo histórico, das conquistas, massacres e pilhagens colonizadoras bem serve à passividade presente, de quem ignora tratar-se disso o Mundo, desde sempre submetido à rotatividade imperial.
Pois, tão importante quanto compreender e reconhecer tais papéis, é produzir o novo.
Que triste coincidência, depois de uma semana conferindo antigos quadros d’Os Trapalhões no YouTube, encontrar um mesmo esquete, cuspido e violentamente escarrado no Zorra Total.
Que vergonha… Assisti.
Posto que os recentes e assustadores eventos apontam mais uma vez para a fadiga, planejo finalmente o retiro de férias, talvez o primeiro em minha vida, oficialmente falando.
Dentro do emaranhado sensorial que a medicação antidepressiva explora, a solidão costumeira agora se faz sentir, sofredora.
E como faz falta um ouvido amigo, pelo menos.
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