12/02

Eis que o assunto foge da irrelevância cotidiana em páginas e bocas, apontando para a tragédia urbana prenunciada, que parece surpreender outra vez pelo patamar. E o foco, nesse meu entender distante e burguês, passa invariavelmente ao largo da percepção real, ecoando um discurso vingativo dos grandes veículos. Não é por aí.

Se há um necessário ajuste penal, revendo progressões e maioridade, cabe, antes, estruturar instituições apolíticas, unificadas, científicas e capazes de formar agentes policiais, ao contrário dos cangaceiros que passeiam com o nome e o tipo sangüíneo em suas fardas. Entra aí a remuneração equivalente, bem como estruturas que permitam a todos – incluindo o apenado, possivelmente em unidades fabris – o correto exercício de seus deveres em um sistema de segurança pública. O ciclo de violência oficiosa, sob a ótica do talião, não foge da tradicional ditadura imposta às camadas pobres – que encerra em si, desde sempre, a pena de morte. Barbárie, também.

E a questão social vem ao lado, sem assistencialismo. Não é pela erradicação da pobreza, essencialmente, mas da miséria. Qualquer discussão sobre a origem da violência vem depois. É a educação e o acesso, a noção de respeito e dignidade.

Não será o abastado com a varanda coberta em protesto; as camisas brancas e pretas; os tolos filósofos etílicos da zona sul; os colunistas chiliquentos e nem eu: Seremos todos – individualmente –, comportando-se para replicar e definir civilidade.

Ps.: Será que os nobres torcedores que foram ao Maracanã prestar homenagem ao João Hélio Fernandes resolveram não depredar o Estádio dessa vez?

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