31/10

Como um tradicional e pitoresco anúncio consegue ir além:

30/10

– Ressaca energética. Saí com um pessoal chato demais.
– São aquelas que contaram sobre a depilação, outro dia?
– Hohoho, não. Outras. Terminei a noite “analisado”.
– Ai, mulher adora fazer isso. Que saco! Não deixamos vocês falarem.
– Comecei a abstrair. Parecia a professora do Charlie Brown.
– É falta de inteligência, não perceber como isso cansa os homens.
– Tudo o que você quer, é relaxar; e não ser varrido pela soberba de quem se acha íntimo. Bêbado, ainda aguentava.
– E você não transparece que está achando tudo um saco?
– Devo transparecer; eu nunca me esforço em esconder essas coisas.
– Hoje em dia, a maioria já chega metendo o pé na porta. E ficou nisso?
– Bom, piorou. Depois que a pessoa acha que você ficou ofendido, ela passa a noite se desculpando. Aí, é elefantíase escrotal. Já estava preocupado, achando que em determinado momento, por reflexo, eu seria grosseiro. Comecei a chutar o balde, também, olhando para outras mesas.
– Ai, que preguiça de gente assim! Tem gente que não sabe relaxar. Eu, graças ao bom deus, não tenho amiga assim. As que eram, foram expulsas.
– Tudo o que eu queria, ao final, era a boa e velha mesa de amigos. Tudo bem que não chegam a encher uma mesa, mas já são ótimas companhias.
– Eu fiz engenharia, e a turma só tinha homens, e trabalho num lugar onde só tem homens. Eu adoro o ambiente. Quando estou perto, não tem chilique.

29/10

– E, se os argentinos atrasarem?
– Eu converto Mocanguê em Malvinas.

– Enquanto isso, eu ouço aqui na rua, de noite: “Eu?” “Eu o quê?” “Eu?” “Eu o quê?” “EU?” “Eu o quê?” “EEEEU?” “EU O QUÊ?”
– Arnaldo Antunes mora na sua rua?
– Deve morar com o Carlinhos Brown, a julgar pela percussão. É um tal de falar alto, bater porta e jogar totó de noite, na varanda – de ferro!
– Medo.
– Fora o Land Rover da rapaziada, que você percebe de longe, como uma betoneira.

28/10

Axioma do chat: perguntas capitais serão aquelas respondidas meia hora depois.

– Eu acho que você é foda.
– ‘tô mais pra fado.

27/10

Como em uma Love Parade, um batalhão de lagartas clubbers – pretas, com anéis amarelos e laranjas – invade o quintal. De perto, vejo que uma, descendo a parede, expele um pequeno cacho em queda livre.

Ou é desapego materno, ou intestinal.

26/10

A gente acaba se adaptando a toda circunstância profissional. O problema é a folga.

– ‘tô ouvindo um apito de navio se aproximando.
– Como assim? Uma buzina?
– Vem em intervalos regulares; parece real. Acho que vou sair correndo.
– Ahahahahahahaha
– Da série “Morte: por essa você não esperava”.

25/10

O dia era da criança, e não do infeliz Mickey, acenando para o nada em frente ao La Mole de Botafogo. Um outro clone ardia sob o sol tijucano, anunciando a farmácia e a vergonha; tal como o “Jornal do Brasil” ambulante, fazendo as vezes de recepcionista em frente à Letras & Expressões do Leblon. Difícil ignorar.

Curioso, quase me ofereci para incorporar uma personagem do Daniel Azulay, certa vez. Vale um documentário.

– Eu fico muito tempo sem sair, e qualquer programa social ganha ares de redescoberta. Ambientes cheios, música alta…
– Fica se sentindo velho.
– É legal pelos olhares, essas doces bobagens. É divertido.
– Fora a mulambada.
– Ah, sim. Tem sempre aquele pessoal com copo de cerveja na mão, e cara de “pegar mulher”.
– Isso não muda.
– Pouco antes de sairmos, uma das mulheres até comentou que estava na hora dos palhaços. Foi quando eu olhei e constatei que, realmente, só havia o pessoal “sem pescoço”, açougueiro.
– Na hora em que eu fui embora, a fila do caixa só tinha mulher. Eu até comentei com a minha namorada: “‘tá vendo? Todas as mulheres vão embora, e ficam apenas homens. Essa é a hora de sair.”
– Dali em diante, a chance de confusão aumenta exponencialmente. Eu ainda não tenho esse timing, até pela falta de prática.
– Acho que as pessoas estão saindo e voltando mais cedo no Rio.

24/10

As feições – essa mandíbula projetada – e o desejo pela escrita não escondem mais: a Bruna Surfistinha é o elo perdido.

23/10

Se já é sensacional ser tema de pesquisa acadêmica, o que dizer de uma aula de história do design? Felicidade total.

E que a gente justifique.

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