31/12

– Um representante de laboratório mandou uma matéria sobre um outro anticoncepcional bunda que tá dando merda por aí. Quase como aquelas pílulas de farinha, lembra? Aí, você pensa: não sou gineco, nem prescrevo anticoncepcionais.
– Não entendi, ele mandou por quê?
– Essa é a minha pergunta. Devo ter cara de messalina, sei lá.
– Mas ele é concorrente?
– Nem… Ele me visita pra falar de antidepressivos, anti-Alzheimer e anti-epilépticos, então foi um e-mail altamente sem propósito.
– Pode receitar todos esses aí. ‘tô topando.
– anti-Alzheimer?!?!?! A sua memória é de elefante (sem maldade, hahahaha).
– Olha a margem e a tromba. Quer dizer, é e não é. Ela é bem seletiva, e eu ainda não sei como funciona. É difícil guardar nomes do cotidiano, situações de trabalho, sinal que provavelmente não dou a mínima pra isso.
– Memória é uma coisa bem simples, é o que eu digo aos meus pacientes. Existe uma diferença muito grande entre problema de memória e problema de fixação. Você só fixa o que te interessa subconscientemente. Você pode até tentar se convencer conscientemente que precisa daquela informação, mas seu cerebro só vai guardar o que interessa. Não tem jeito. Então, é a hora em que você esquece nomes, objetos, numeros de telefone… Absolutamente normal.
– E há diferença entre números e nomes? Porque pareço gravar melhor os primeiros. Ou isso diz apenas do interesse maior?
Yep. Quanto a isso, não tem diferença. É individual, mesmo.
– Eu guardo sem problemas quaisquer senhas randômicas sugeridas pelo computador.
– Nossa, eu odeio essas senhas. Mas eu lembro de umas coisas sem noção. Eu sabia todos os números de matrícula (sete números) dos 80 alunos da minha turma de faculdade. Se eu pensar bem, acho que até hoje, 7 anos depois, ainda lembro. E eu não consigo pensar em nada mais inútil, sou estranha mesmo.
– Não sei se é da sua área, mas eu adoro contar coisas e agrupá-las. Se estou num lugar esperando alguém, começo a contabilizar o ambiente – tacos, cadeiras, luminárias –, e se estão divididos em colunas e fileiras. Aí, vou somando.
– É da minha área e um pouco de psiquiatria, porque isso é sintoma de TOC, mas também mostra que seu lobo parietal esquerdo é bem desenvolvido. Organização espacial numérica.
– No último Anima Mundi, contei as cadeiras da Praça Animada; e em Florianópolis, sozinho, andando pela cidade, multipliquei os números da largura pelo comprimento de paralelepípedos de cada rua percorrida, somando até 45 mil.
– É… Zé, vai um remedinho aí?! Hahahahaha
– E tenho obsessão por equilíbrio. Um objeto fora de centro me deixa tenso.
– Ih, sintoma clássico de TOC. TOC de raiz.
– Ê, lerê. Interna tan-nan-nan.
– Essa sua autocrítica bulldozer também é isso.
– É, eu me massacro um pouco.
– “É, eu me massacro um pouco”, disse o peregrino se autoflagelando.
– “massacro um pouco” é ótimo. Lembra a minha sócia: “Estou passando meio mal”. Como assim?
– Ih, uma frase clássica. Pior que isso é “Estou com uma febre interna”.
– Pelo o que você disse, então, eu sou normal.
– Contrações pancreáticas imediatas quando escuto isso.
– Meu vocacional deu habilidade numérica. Só se for na balança.
– Você tem capacidade organizacional ótima pra números, mas seu hemisfério direito (artístico, criativo) deve ter predominado…
– Nele, na avaliação de expressão, de comunicabilidade, de 1 a 99, deu DOIS.
– Dois? Generoso… Eu daria 1.5 .
– E deu inteligência!
– Claro que deu. Não fosse pela parte social, seu cérebro é bem completo. Você usa os dois hemisférios muito bem.
– Ainda existe teste vocacional?
– Existe, mas não tem mais o respaldo de antes.
– Pois é, 99 de inteligência, isso não pode ser sério! Um pâncreas social como eu, um pepino do mar da erudição!
– Pepino do mar hahahahahahaha Mas não é nada imutável. Não que um dia você vire um Cláudio, mas dá pra triplicar sua capacidade social. Basta treinar.
– Opa!

30/12

Sempre que relatam mais uma cidade com enorme predominância feminina, penso na localidade infernal destinada a equilibrar-nos – em que pese o IBGE.

Qual será, então, o lugar maldito onde só tem homem?

Você entende que o Beira-Mar acene para as funcionárias do Fórum, amontoadas e ouriçadas como diante de um artista de tevê.

É novela.

29/12

Passando roupa sem roupa: é o preço de trabalhar sábado.

Meta para 2008: Novos problemas.

28/12

“De tirar o fôlego”

Enquanto a Volkswagen e alguns entusiastas comemoram os cinqüenta anos da Kombi, convivemos com mais um exemplo tupiniquim de continuidade às avessas.

27/12

Porque eu adoro o uniforme da Gol, marcando o bojo dos sutiãs sem rococós.

– ‘tá no Rio?
– ‘tô.
– E com sede?
– Muita.
– ‘tô me controlando para não confirmar outra compra etílica.
– Huahuahauhua você é louco.
– Falando nisso… Herr?
– Hummmmm adoraria, mas tô tenso.
– Trabalho?
– Muito.
– Quando nossa equipe era maior, havia a impressão de que trabalhávamos para sustentar os outros.
– Impressão my ass. Eu ESTOU trabalhando para sustentar os outros.

26/12

Sob determinado ângulo e luz, produzido, eu fico até bonito.

25/12

– Esse azeite é extra-virgem. E aquele outro?
– É o arrombado – diz a minha tia.

… e também muito ouriçada…

24/12

– Lembre-se do que você é.
– Oxítona?

Epitáfio até agora: Tinha tudo para ser feliz.

Mudará.

23/12

Ainda verei um filme brasileiro sem o varal de marcas.

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