“… com um estilo único”
– Eu adoro os comentários do YouTube porque as pessoas colocam trechos do vídeo. Qual é o propósito? Eu estou assistindo ao vídeo! Isso era o que eu mais odiava na faculdade. A professora pedia “Comentários sobre Hamlet?” e algum puxa-saco “Ahhh, foi uma ótima sugestão de leitura! Estou muito feliz por estudar Shakespeare… me tocou muito esse trecho aqui ‘To be or not to be?’” e não tem comentário! É só uma repetição, e como me irrita!
– É como a pessoa que, ao cantar a música, apenas repete o título com melodia “Ah, Thriller? Thrilleeeer…“
Não era um pescoço qualquer a seguir contra o vento, merecendo um mimo ou o puxão para o primeiro táxi.
Não é uma graça, quando respondem astrologicamente?
– Sabe como é, meu ascendente…
Hem?
– O pagamento da Coca atrasou por causa da doença da moça do financeiro.
– Imagina se acontece o mesmo com o rapaz que faz o refrigerante.
– Eu esqueço o que ouço porque noventa por cento do que as pessoas dizem é bobagem.
– O problema é discernir aqueles dez restantes.
Pela constância, o ritual de educação cotidiana produz aliterações dignas dos quadrinhos, como a cada vez que seguram a porta do elevador:
– … Gdo.
– … Nda.
Quase para cachorro ouvir.
Resfriado e enfraquecido, precisando de colo.
O afago, se vier, sentirá o repouso de quem se aninha, se apega e pode, enfim, descansar.
Segundo o sonho da arquiteta, conheci e casei com alguém no intervalo de dez dias, mudando todo o projeto do apartamento para acomodar o casal.
© Reuters

Com Silvio Berlusconi, assumem as seguintes ministras, da esquerda para a direita: Giorgia Meloni (Políticas para a Juventude), Maria Stella Gelmini (Educação), Mara Carfagna (Igualdade de Oportunidades) e Stefania Prestigiacomo (Ambiente)
Igualdade de oportunidades, isso.
É irritante a exclusiva associação do esporte a muitos dos nobres aspectos de valorização e interação social, quando podemos encontrá-los, sem exceção, em quaisquer outros campos da atuação humana.
Às vezes, exaurido, basta o conforto da moça, seus olhos, as mãos e uma breve atenção.
É o que vale.
É uma sensação de pertencimento, a descoberta do avô materno junto aos Dragões da Independência.
Pessoalmente, você tem o olhar mais triste. Como se isso fosse possível.
Bjs
– Entrei de férias ontem. Ficarei um mês longe daquela bosta.
– Voce trabalha comigo? Não lembro de você.
– Ahahahahahahahahaha
Os “jogos interativos” da madrugada televisiva intrigam mais pelos detalhes, como a premiação que se alardeia em barras de ouro, garantindo um inicial de cento e cinquenta reais.
Bom, se o grama ronda os 49, temos aí uma raspa.
Brincando sobre os desencontros, reclamo da falta de amor da amiga, que responde com dedicação exclusiva ao time de futebol.
Aí, enfraquece a torcida.
A cada livro infantil de uma celebridade, eu sempre me pergunto se era esse o objetivo.
O fato relevante no episódio do Ronaldo com os travestis, seja qual for a história, é a manutenção do subterfúgio machista que isenta o “ativo” do universo gay.
Quanto às sorridentes barrigas, hei de reconhecer, também, nos predicados dorsais, as doces “barroquinhas” pontuando a lombar, cheias de maldade.
Por que o Exército, solicitado para quaisquer ações, não dá futuro à população de rua?
Não sei se passa pelo abandono do design – que já acontece inadvertidamente, pelos rumos e resultados cotidianos –, mas penso em estudar ou investir na escrita, mesmo que não o seja, ainda.
Acho que seria mais feliz.
Parecemos ignorar muitos de nossos reveses estruturais como reflexo da estabilidade monetária a partir dos anos 90, alçando ao consumo uma faixa não prevista pelas calças curtas do Estado, e, por não estender-se à educação, fomentando um perfil cultural popularesco em todas as classes.
Vai demorar.
– Tenho vontade de estudar roteiro.
– Acho muito legal, mas só se for com final feliz.
– Ficção? Pode ser.
– Eu adoro essas modelos genéricas dos programas da Globo.
– É necessário que elas sejam genéricas, porque, quando se negarem a manter qualquer tipo de relação com o diretor, ele pode arrumar outra igual.
– Isso lembra um causo numa ilha de edição, entre o editor e o diretor de uma novela, quando o primeiro começou a invejar o galã, na tela, pelas mulheres conquistadas, ao que o segundo “Que nada, é viado” “Viado? Que isso, o cara pega todas!” “É viado, tô falando” “Não pode ser” “Porra, eu já comi, é viado!”
– Um dia, não sei como começou, todos os meus amigos viraram gays, então, eles conhecem todos os gays do Rio.
– Viraram?
– Bom, devia estar dentro deles, né? Mas eles ficavam com mulher…
– Olha a margem.
– Hahahahahahaha só sobrou um hétero, mas que a gente desconfia que não seja, e um que jura que é, tá noivo, mas eu acho que vou ser obrigada a contar pra ele que ele é gay.
– Cuma?
– Ele é gay, ele só pode ser… Mas ele arrumou uma namorada e agora tá noivo. Eu não posso deixar a pessoa casar. Ele é gay!!!
– O que não falta é marido enrustido por aí. Minha médica falou de um plantão onde atendeu um senhor com um objeto no ânus, enquanto ele acalmava a esposa pelo celular, como se fosse um alarme falso de infarto.
– A noiva dele é a pessoa mais fofa do mundo. Quando começaram a namorar, eu pensei que ela devia ter algum problema “Ela é do interior da Bahia, filha de coronel, a família deve ser muito religiosa. Ela não deve fazer sexo antes do casamento. Ele não deve fazer sexo com ela, bom, porque ele é gay, então a dinâmica do relacionamento é essa” E aí, foi aterrorizante quando eu descobri que eles faziam sexo. Fiquei em choque, não entendi. Ela é toda fofinha…
– Já trabalhei em uma campanha com um sujeito afetadíssimo, que, dizem, quando ligava para o pai no nordeste, fazia a maior voz de “macho”. Não é possível, até descobriram que ele acessava um site chamado “Pau Brasil”… Que meigo.
– Eu tenho um amigo que é quase uma menina! A família não sabe. Ele, perto da mãe, é muito macho. Você não acredita que é a mesma pessoa!
– Que coisa estranha. Será que eu sou gay, também?
– Hahahahahaha de repente você só não se descobriu ainda… Aí, um dia uma amiga conta pra você.
– Ui!
No primeiro dia de auto-escola, a irmã da Carol, animada – CRANK –, engrena:
– Aonde vamos?
– A lugar nenhum. Você acabou de quebrar a caixa de câmbio.
Já que os blogs aninham-se paulatinamente nos negócios, é hora de pensar, também, no estímulo ao design de interface. Que tal?
Venho sonhando, há anos, com pendências acadêmicas desafiadoras, numa tensão que só o despertar livra.
Aflição.
– No elevador do apart-hotel, encontro a menina toda arrumada, maquiada e com um perfume fortíssimo, cheirando literalmente a Help. Deu até vontade.
– Sensacional.
– O aroma era metade.
– Mulher com perfume forte tende a um “pezinho”.
Por que, paralelamente e além Dengue, não estimulam o plantio de insetívoras?
– Vai demorar muito?
– Não, é rapidinho, vou só pegar a correspondência.
– Ah, então eu imbico na porta da garagem.
– Por que alguém cria um cardápio e dá nomes como “arrombado” aos pratos?
– Cuma? Restaurante gay?
– http://www.palaphitakitch.com.br/ acho que não. É? Ahhhhh, no glossário tem o significado…
– Imagino o garçom, todo triste com o “Manda vir o arrombado!”
– Hahahahahaha, pois é! Eu nunca pediria o prato… Eu já fico sem graça no Devassa.
– Pô, mas a definição do glossário… ARROMBADO: pequeno igarapé (braço de rio) afluente do Rio Negro, próximo a Manaus que, segundo a lenda, formou-se a partir da ira de uma cobra grande que vive em seu fundo.
– Ah, e eu aposto que várias pessoas pedem o prato e ainda se acham muito engraçadas. É bem a cara de festa de firma. Alguém pede um prato com esse nome e todo mundo ri.
– Aí, apontam para alguém com “fama”.
– De repente, esse é um restaurante que só abre no fim do ano, pras festas de firma.
Foi em um telefonema com a amiga de faculdade, o primeiro elogio de minha voz; repetindo-se com os anos e motivando até mesmo um interesse por dublagem ou rádio, que não foi adiante.
Sobrou, porém, o divertido ritual de “provocar” tele-atendentes.
Apesar da programação televisiva, já estamos no Século XXI. A manutenção das aldeias indígenas e um estilo de vida isolado sempre me remeteu mais ao interesse de uma antropologia de almanaque, à perpetuação de um modelo de “aquário”, que à preocupação real sobre o bem estar e a cultura daquelas povoações. A preservação e catalogação não precisam estagnar com o próprio objeto.
Nossos povos cruzam, interferem-se e miscigenam-se. Não faz sentido manter entocados aqueles que servem mais a interesses escusos de ONGs e outros “brancos”.
Desperto e asseado, checo e-mails enquanto penso na sensação estranha:
– Ah, sim, tô feliz.
Apesar da atenção feminina à moda, elas muitas vezes assemelham-se mais entre si, que os homens.
As justificativas que relacionam esforço e inspiração funcionam muito bem depois que tudo dá certo.
– Eu já tava quase indo dormir, mas achei produtivo ouvir a mesma música 78 vezes.
– Vai colocar a letra no blog? É coisa de pobre.
– Hahahahaha vou publicar assim que eu achar uma fadinha com glitter, peraí.
– E colocar GIF animado em todas as palavras-chave: “você”, “eu” para escrever no MSN e foder com a leitura alheia.
– Meu Deus, como conseguem? E quando o GIF não abre, e você tem que adivinhar?
– Ainda bem que o meu chat não é tunado.
Preenchendo o formulário do cartão de crédito, abro o menu de carreiras:

E não há “Desenhista Industrial”, “Designer” ou correlata.
Vou de “Pedreiro”.
– Eu só falo as coisas depois de pensar, mas tem gente que não entende o que tá falando.
– Nossa, você conhece a minha sócia.
– Hahahaha o trabalho fica todo pra quem tá em volta, porque a gente tem que ouvir e decodificar o que a pessoa disse.
– Um amigo meu tem mania de puxar um assunto pelo meio, obrigando a gente a se desdobrar para entender o que é. Ele solta uma frase qualquer, e você tem que pescar, o que é um terror.
– A minha mãe é exatamente assim! Eles pensam que a gente mora na cabeça deles!
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