21/09

Como um rascunho certeiro, a feminilidade resume-se muitas vezes à intervenção preciosa sobre o vazio.

4/09

Um convite irrompe a timidez masculina, para despertar aquela risada que sopra nuvens.

A mão sob o queixo, o semblante atento desenhando o sorriso. O reflexo na tela do filme compartilhado trai a moça na fuga do olhar alheio.

28/08

Por entre atribuições diversas do cotidiano a mente persevera, às vezes violentamente entre vertigens de um desejo sem nome, ou prado sem boi. Reféns dos pensamentos que violentamente jogam contra os poréns, afunilamo-nos.

6/08

Desejos são aspas sem miolo, que melhoram se assim permanecem. O imaterial é o que de maior nos atrevemos.

3/08

Muitas vezes há no óbvio, por definição, uma expressão do que não está claro para o atento. Como seus gestuais em tênues parábolas pelo ar do gramado, cortando a luz com o vazio do vento e o balanço em que há somente quadris. Essa regência que esmiuça o feminino parece corrigir o ambiente como a célula inicial. São elas.

1/08

Durante a redação conjunta os olhos escorregam entre seu pescoço e a cintura, respingando pensamentos que àquela altura teimam em querer colo. A dura tarefa de tingir a racionalidade.

9/06

Hoje o calendário vinca em meu nome. Pelo que jaz de momento; pelo que traz.

Sob a eterna mastigação das sensações, vamos conjugando. É o tato, o palato, a nesga de Sol cinza pela janela ruidosa do quarto da frente. A sensação amorfa, inconclusa, talvez correta se assim houver o termo.

Parabéns!

30/03

O pontuado que pela respiração se define é o que sobra do marasmo das horas ou dias turvos, do que se perde angustiado, recolhendo-se a pensamentos repetidos e viciados sobre males desnecessários.

Quando tudo é o que resta, o nada é que nos falta.

9/03

É necessário um quê de frondosa. Para virar o rosto acomodando-se pelo ombro em suave malícia, os embaralhados dos cabelos escorregando desde os olhos até o limite dos nossos; movimento e engenho, engrenagem de provocação. As pálpebras que semicerram, as maçãs que sobem o sorriso e o resultado que pode.

8/03

O necessário se dissipa no abraço de casulo, como que deixando a luz conjugar. Olhos nos olhos, nariz que resvala e chamego que arrasta; dois continentes para um todo formar.

Uma planície clara como a cegueira solar faz da calçada um fundo infinito, não fossem ranhuras persistentes do calçamento português entre ilhas de metal-bueiro. Nos brancos e pálidos quase absolutos ela cruza solitária, desafiando os graus do verão com a blusa vermelha no contraste ensaiado. É o diminuto diante das construções que sustentam a aridez; também imprescindível em seu ondular de quadril. E passa.

20/02

A pretensão do acaso sinaliza ao reproduzir as posições da semana anterior em uma prosaica fila de pães. Ali, sob a monotonia do cotidiano o assunto se fecha em suas neutras roupas, como também na face terracota e os castanhos que repicam em suaves carícias sobre o pescoço. Os olhos claros desconversam como que observados, nos poucos instantes que se prestam a grafar pensamentos do acanhado vizinho.

Novos matizes sinalizam em seus olhos. A hora do dia é a mesma; a luz, cotidiana como o ambiente. Mas acontece de percebê-los em profundidade, como gemas num escuro profundo por onde o improvável topa.

Os tons, esses e os já conhecidos; todos aninham-se com os arredores pálidos das órbitas, ou mesmo o rosa moreno que o sol imprime nas bochechas. Suas palhetas.

Há cores demais nela.

1/12

Duas fileiras e um corredor mediam a distância durante o voo, uma perspectiva de enquadramentos e conjecturas possíveis para aquele cenário que se revelava ao redor do assento: A escuridão dos cabelos pelos quais vazava a palidez, as sobrancelhas buscando o espaço, o silencioso tédio, o sortilégio; o abraço.

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