9/04

A verdade é uma linha no tear da realidade.

8/04

Uma paisagem que a vida contém há de a ver.

Para todo nariz que se desenha conforme a luz, o propósito é literário: fosse frase, começaria em vírgula pelos lábios, talvez ponto pela respiração. Subiria como parênteses entre as maçãs até sumir no quintal do cenho; daí, em curva fechada, para escorregar pela sobrancelha em longo til sobre o olhar.

A tatuagem na coxa insinua-se short adentro

Esconde seu início – ou solução

Deixa para o outro o complemento

Como quem sugere a conclusão

20/12

Quando a camisola enevoa, a luz abre o contorno. Entre as costuras nos encontramos pela imaginação. São as camadas o gozo, e seu preenchimento a provocação.

19/12

Não fossem dois os pontos, não haveria a linha

Ela, não fosse única, não a seria

Como sem um quadro os ângulos não fechariam quadrado:

Quatro linhas, dois lados

 

Se não fôssemos dupla, que unidade haveria?

Não restaria conjunto como também hierarquia; seríamos, nós mesmos, alegoria.

No calor do afago

O carinho se afoga

31/08

A carreira de pequeninos pelos rodeia a orelha para emprestar textura aos dedos, ou ao nariz que se insinua junto ao abraço.

A mulher-hipérbole é um exagero necessário não pela necessidade em si, a fome de linguagem.

É pelo movimento, o tempo e seus preenchimentos. São ondas e não pretéritos distantes.

Ao invés dos rasos, somente aqueles constantes.

21/08

A mulher de porcelana veste cinza para a ginástica. Uma camiseta rosa acompanha.

A mulher de porcelana pouco sugere em movimentos, posto que se basta em delicados lábios, nariz e traços. Seu louro, como convém, escorre em rabo de cavalo como um adorno cerimonial.

A mulher de porcelana tem olhar determinado, às vezes contido, provocantemente discreto.

Mas ela sorri, deixa entrever o belo. E seu entorno ecoa como os respingos da pedra no lago.

23/05

Haveria de ser a palidez, o diminuto corpo ou o súbito desinteresse em resposta. Haveria também o cinza do sutiã, as rosas tatuadas do peito ao braço; os panos cinturados, os tons pálidos, os fios do rosto; predicados.

Moça de pouco espaço costurando interesses, expandindo abraços.

23/04

O semblante sugere o norte Europeu, quase russo para o ignorante sonhador; os olhos em raspas verdes encimam tons escuros como a aurora, de todo modo acompanhados pelo suave bronze do rosto que aufere predicados do observador.

19/04

Para saber sorrir é necessário conjunto. Tanto mais que a boca, é importante repercutir pelo rosto o movimento, como a pedra n’água. Os olhos em apoio fundamental. Bochechas, a testa; cooperação.

Lápis nos olhos, horizonte no hemisfério dos desejos. Cintura da vista; orientação. Tudo em dimensão diminuta como convém aos pensamentos.

Moça do gerúndio
Preocupada com pretéritos
Perdida no presente

Próxima Página »
 

Powered by WordPress