Participação da Visorama no programa Em Branco, hoje, na Rádio Roquette Pinto, FM 94,1.
Nossa questão é sempre o contato; e dentre seus graus, circunstancialmente e talvez para sempre, algum cujo atrito seja como aquela toalha que não poupa contornos.
Do que se basta, naquele rosto desenhavam-se predicados para a imaginação. Mas os olhos, hiatos da realidade.
Se aqui me atrevo, é porque dentre pendências perdi o zelo.
A convulsão e a trupe médica ao redor. A filha avança para cruzar com o olhar que lhe sugere a irmã há pouco falecida, firme e tenso nos segundos poucos até o desfecho centenário de minha avó. Foram ali intensos os estertores da vivência que Dona Carmem honrou coerentemente. É o vento que venta a poeira do relevo emocional.
Não cabe ao efêmero o plural de meus adjetivos, posto que tantos somos e observamos, como por certo atemo-nos circunstancialmente às providências daqueles próximos. Daí vão a duas ou cinco de minhas inspirações no horizonte do edifício vizinho onde por vez almoço.
Pois ela, do castanho clareado cujos ombros trazem sempre um casaco cobertor, do traje executivo, suas pastas e o salto de bico fino, conclui com especial atenção para a sobrancelha que acentua – como a um caractere ortográfico –, o par de pérolas negras e pontuais do olhar que não me cruza. Mas insisto qual imantado pensamento que me acoberta em seu colo.
Quanto à previsibilidade, o Sol e seus raios não deixam escapar. Mas há nuances e desenhos que a imaginação retêm até o comprovar da vista, e não caberiam tantos verbos ou a remota ortografia das preferências para dizer das femininas costas nuas que se prestam aos semitons da luz. As quase sombras que dominam o essencial com o perverso da malícia.
Não mais que seis ou sete foram seus segundos visuais. E se é notório o dizer sobre o sorriso das órbitas, não questionemos o que é solar como o da moça na calçada esquerda de quem sobe a Humaitá.
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